A arte da terra


Tão bonito, mas tão pouco valorizado. Essa é a realidade do nosso artesanato local.
Por Natália Medeiros
            Em nosso cenário nacional e especialmente regional, é comum encontrarmos pessoas que produzem artesanato para venda – seja para o sustento, ou apenas para complementar a renda. Apesar de comum, infelizmente vemos que o artesanato aqui não é muito valorizado pelos próprios moradores.
            Com 74 anos de idade, dona Maria Dorotéia Antunes fabrica variadas peças de artesanato e as vende durante a semana em um quiosque que fica no Centro de Convivência da UFRN. Ela tem ajuda apenas de uma auxiliar para fabricação dos tecidos, porém, ela mesma faz as pinturas em telas, em tecidos, cestos, bandejas, conjuntos de cozinha e também trabalha com pedras dentre outras coisas. Ex-diretora da Feirinha de Artesanato de Ponta Negra, ela já teve várias de suas pinturas expostas no Van Gogh e no Claude Monet. Porém, infelizmente, com a idade avançada e uma alergia que desenvolveu as tintas, já não é mais tão fácil se dedicar muito à arte.
(Foto: Natália Medeiros/ Edição de imagem: Andressa Dantas)

            Essa associação partiu de iniciativa do governo de ceder espaços na Universidade para as pessoas aposentadas poderem trabalhar, ajudando na renda e ainda complementando o espaço cultural com o artesanato. Dona Maria Dorotéia, que é pensionista, procura na atividade uma complementação para o sustento, mas também um exercício para manter-se sempre na ativa: “É mais uma questão de terapia, pois, quando chegamos a uma certa idade, precisamos de uma atividade que nos mantenha ativos. Vende uma coisa numa semana, na outra vende duas, e assim, com paciência, vamos levando o trabalho a diante”.
            Embora a arte local seja bem feita e nos dê motivos para ficar orgulhosos, não vemos muito reconhecimento disso. Na UFRN, já foi solicitado várias vezes um controle maior de seus artesãos e lojas. Também foi solicitado que houvesse mais divulgação, como por exemplo, um comercial ou programa exibido na TV Universitária, no qual essas pessoas pudessem mostrar seu trabalho. No entanto, o pedido foi atendido somente uma vez. Apenas um comercial foi ao ar há muito tempo e depois disso, o assunto foi esquecido pelos gestores.
            Falta então um incentivo maior e mais valorização e divulgação desse trabalho tão bonito e tão importante para nossa cultura. Quando nos atentamos, vemos a triste realidade que é as lojinhas com tão pouco movimento. Como disse a simpática senhora: “Nossa arte, em todo o Rio Grande do Norte, é perfeita! Podemos competir com qualquer outro estado sem sair envergonhados disso”.

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